28.3.10

Ação pedagógica


A ação pedagógica planejada para executar nestre semestre, se baseia principalmente no estudo e na compreensão do eu de cada aluno.
Nesta fase a criança está configurando seu mundo, e penso que trabalhar com a realidade de cada um é a melhor maneira de representar o elo entre a criança e seu mundo e a necessidade de compreensão da sociedade que está inserida.
Essa abordagem possibilita a integração de diversas áreas de conhecimento.
Esse tipo de trabalho faz com que os alunos desenvolvam conceitos a partir da sua história de vida,de conhecimentos que fazem sentido dentro do seu contexto histórico familiar.
Entender o porquê da necessidade de se ter um nome e sobrenome,qual é o significado do seu nome,quem escolheu esse nome,ou, que nome gostaria de ter,são questões que possibilitam o envolvimento e a busca por informações,que nunca foram antes pensadas por elas,e que de repente começam a ter sentido.
Quem são realmente,suas identidades,que conjuntos de fatores formam a identidade de cada pessoa,são assuntos que as interessam e fazem da sala de aula um ambiente desafiador e facilitador para irem em busca a fim de se conhecerem como sujeitos sócio-históricos.
Trabalhar com noções de que , cada aluno é um ser, único, com especificidades que são só suas,mostram como a criança se vê- sua auto-imagem,sendo importante que ela se perceba e aceite a diversidade.
Convém destacar a importância da história e da geografia como áreas fundamentais nessa proposta a fim de desenvolverem conceitos importantes.
Através de atividades de História surgem atividades para desenvolvimento da noção de tempo, de visão histórica sobre o cotidiano e de consciência do sujeito como fazedor da história.
Já a função da Geografia é propiciar a compreensão do espaço produzido pela sociedade, suas desigualdades e contradições, as relações de produção que nela se desenvolvem, bem como a apropriação que essa sociedade faz da natureza. Cabe à Geografia explicar como as sociedades produzem o espaço, conforme seus interesses em determinados momentos históricos (e aqui mais uma vez os dois campos se inter-relacionam), e como este processo implica uma transformação contínua.
O estudo do espaço supõe a análise da sociedade e da natureza, não isoladas mas como partes integrantes de uma totalidade, a qual se organiza e relaciona, configurando-se em diferentes paisagens, de acordo com os diferentes tipos de sociedade embricadas em um determinado território.
Para tanto, cabe à escola, a ampliação e o aprofundamento das noções de localização espaço-temporal da criança: vizinhança, distância, lateralidade, limite, causalidade e suas inter-relações. (Vale lembrar mais uma vez que todas estas noções a criança já as tem, de alguma forma, na medida de seu contato com o espaço vivenciado. É preciso verificar como a criança percebe seu espaço).
Este processo deve ser feito com o respaldo de disciplinas como Educação Física, Educação Artística (Plástica, Cênica e Musical), Língua Portuguesa, Matemática e Ciências Naturais que, ludicamente, podem também trabalhar tais relações.

21.3.10

NADAMOS E VAMOS CHEGAR ATÉ A PRAIA


Começado mais um semestre,sempre me vem a mente aquelas promessas:neste semestre prometo que vou ser pontual e assídua nas minhas postagens,como estudantes,que em todo início de ano prometem,pelo menos para si, que vão caprichar naquele caderno novinho,branquinho,sem nenhuma orelhinha.
Mas nesse início , parece ser tudo diferente.Reta final, estágio, tudo diferente de antes.Começamos o semestre num ritmo de despedidas,pensando que será o último ano em que teremos um ínicio.Início do fim ou começo de um novo tempo!
A verdade é que estamos começando de novo.O tão esperado estágio,que para alguns um "bicho papão", para outros,nem tanto assim.Confesso que estou sim apreensiva,agitada, ou melhor dizendo, nervosa e com um frio na barriga.
Embora contando com a experiência docente,sabemos que é um momento decisivo na nossa caminhada como alunas do Pead.Hora essa de pôr em prática o que trabalhamos nesses longos sete semestres de curso.
Uma verdade que me parace ser forte e verdadeira.Nada do que foi será,de novo do jeito que já foi um dia,como diria Lulu Santos.
Lembrei da metáfora da praia.Nadamos até agora,passamos por tempestades no mar,conseguimos vencer os altos e baixos das ondas,algumas vezes,parecíamos afundar nas dificuldades, mas havia sempre uma mão estendida pronta a nos puxar para cima a fim de recomeçar a nadar.
Fico tranquila em saber que apoio e ajuda não nos faltarão,pois não seria agora , visto que chegamos até aqui,que nos faltaria essa força e até mesmo um empurrãozinho para chegarmos até a praia.
Mas ao mesmo tempo que sei que teremos apoio e ajuda,me preocupo se terei condições de elaborar as tão temidas arquiteturas pedagógicas que teremos que pôr em prática,pois lembro-me das dificuldades que tivemos no ano passado de elaborar e planejar uma AP,que acabamos não colocando em prática com nossos alunos.
Estou começando um ano com um desafio,pois depois de trabalhar seis anos com turmas de 4º séries, estou trabalhando com um 3º ano,onde seria uma antiga 2º série.
Não sei ao certo que tipo de arquitetura vou trabalhar,pois ainda não sei como ficará, pois na minha escola o laboratório de informática está desativado.
Estou pensando em trabalhar com algum assunto relacionado aos países ou países que participarão da copa, pois no início do ano as crianças me pareceram bastante curiosas em relação ao assunto quando fizemos uma lista de nomes de cidades e de países.Logo percebendo o interesse pelo assunto, peguei o mapa mundi e comecei a explicar e mostrar alguns países e continentes que surgiam curiosidades.
Por enquanto estou trabalhando com a história de cada um:sua identidade,seu nome,sua família e história familiar.
Como diz a música,"tudo muda o tempo todo no mundo".Pode ser que muita coisa mude...

7.11.09

Ideias de Freire e arquiteturas pedagógicas


Depois da leitura dos textos para a interdisciplina de didática ,extrai as principais pontos da pedagogia de Paulo Freire sobre a educação.
O trabalho de alfabetização de adultos desenvolvido por Paulo Freire não é necessariamente um método,mas sim uma reflexão sobre o significado da educação.
Para Freire o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno.
Os aspectos mais marcantes da obra de Freire são:

*Prática de sala de aula que desenvolva a criticidade dos alunos;
*Matar nos educandos sua curiosidade,seu espírito investigador,e a criatividade;
*A educação tem como fim inquietar o aluno;
*Professor possibilita a criação ou a produção do conhecimento;
*O professor deve levar os alunos a conhecer conteúdos,mas não como verdades absolutas;
*Os homens se educam entre si mediados pelo mundo;
*Em sala de aula,um aprende com o outro e é necessário que as relações sejam afetivas e democráticas;
*O sujeito da criação não é individual ,mas sim coletivo;
*Valorização da cultura do aluno é a chave para o processo de conscientização;
*Uso de palavras e temas geradores;
*O método Freire pretende habilitar o aluno a ler o mundo;
*Concepção de ser humano como histórico e inacabado sempre prontos a aprender.

A partir da ideias mais marcantes de Freire,é possível relacionar em vários pontos com as arquiteturas pedagógicas e o trabalho com projetos de aprendizagens,pois o objetivo dessas práticas pedagógicas,faz com que nossos alunos sejam os autores de suas próprias aprendizagens,construindo uma nova visão dos conteúdos abordados,tabalhando com a busca do seu conhecimento e tendo o professor como alguém que inquieta e possibilita a criação e a produção desse conhecimento,através da valorização da sua cultura e do seu potencial como seres capazes de estar sempre prontos a aprender.

24.10.09

GÊNEROS TEXTUAIS II



Dando continuidade ao Projeto de leitura e escrita e gêneros textuais,nas duas semanas que se passaram,foi iniciado o trabalho com o gênero "receitas".
No primeiro momento caracterizamos o gênero e sua sua finalidade.
Em seguida receberam receitas a fim de identificar as partes e suas particularidades.
Foi explorado o significado de ingredientes,do modo de fazer,e as ações realizadas na receitas- porque paralelamente estávamos trabalhando com verbos.
Na semana anterior eles haviam assistido uma peça de teatro na escola baseado no livro "A fada que tinha ideias",onde a fadinha Clara Luz tinha muitas ideias,entre elas uma receita de bolo. No livro de Receitas das Fadas,Clara Luz,uma fada de seus dez anos,encontrou a seguinte receita de bolo:

Bolinhos de Luz

250 gramas de raios de sol
250 gramas de raios de luar
Uma colher de chá de fermento de relâmpago

Modo de fazer

Misture bem os raio de sol e de luar,até saírem faíscas.Junte então o fermento de relâmpago.

(Fernanda Lopes de Almeida,A fada que tinha ideias)


A partir daí,tiveram que fazer de conta que eram uma fada e inventar receitas de bolos .A partir de sugestões recebidas,produziram uma receita nos moldes da receita da fadinha.
Cabe listar algumas das sugestões:
a) bolo para deixar as pessoas felizes;
b) bolo para adultos entenderem as crianças;
c) bolo para ninguém mais morrer;
d) bolo para ninguém mais chorar;
e) bolo para se tornar invisível.


Essas produções estão sendo agrupadas em uma álbum,com todos os gêneros textuais trabalhados.
O próximo passo foi a seleção de uma receita,feita como tarefa de casa,a fim de escolherem uma para realizar em sala de aula.
No dia marcado,trouxeram as receitas,e em grupos escolheram aquela que gostariam de fazer para os colegas.
E na quarta-feira passada foi o grande dia.Combinaram previamente os ingredientes e o que cada um deveria trazer para a sala de aula para o preparo da tão esperada receita.
Saiu de tudo:salada de frutas,milk shake,bolo dechocolate,salada tropical,sanduíche,enfim...Foi uma festa.Eles adoraram a ideia.Levaram tudo muito a sério,e a cada passo da receita,era uma euforia só!
Resultado:Um belo lanche coletivo para saborear as receitas preparadas por eles.
Os meninos principalmente acharam uma experiência muito legal,pois colocaram que suas mamães não deixam nem chegar perto da cozinha.E eles se saíram muito bem.

Foi uma experiência muito gratificante,tanto para mim,quanto para eles.
Ao vivenciar as aprendizagens,colocar em práticas experiências ,se possibilita uma motivação e envolvimento acima do esperado.
Juntamos o trabalho com gêneros textuais às práticas vivenciadas a partir uma mistura de entusiamo e dedicação com os conteúdos trabalhados em aula.

11.10.09

GÊNEROS TEXTUAIS

Na semana que passou,trabalhei em sala de aula com poemas.
No primeiro momento comentamos sobre as particularidades desse tipo de texto.
Os alunos já são bem familiarizados com esse gênero.
Em seguida receberam uma cópia de um poema para pintar as estrofes,numerar os versos e sublinhar as rimas.
A seguir fizeram várias atividades com rimas,encontrando palavras que combinassem entre si pelo som final.
Fizemos a análise de outros poeminhas com a finalidade de se habituarem com esse gênero,para que reconhecessem bem as características fundamentais de um texto poético.
Como tema,tiveram que trazer de casa um poema.Fizemos a análise das estrofes,versos e rimas.
A proposta seguinte seria a produção de poemas a partir de diversos temas,utilizados como sugestões,mas também se abriu espaço para que escolhessem um tema que mais lhe agradace.
Conversamos também que nesse tipo de gênero,as rimas não são obrigatórias.
Alguns tiveram um pouco de dificuldades,mas outros adoraram fazer essas produções.
Gostaria de poder registrar todas as produções,mas ficaria muito extenso.
Aí vão algumas:

A poesia é legal
A leitura essencial
Se você se interessa bastante
Fica muito interessante.

A leitura é assim
Imagino até um pinguim
Se você está brabão
Pode até tocar violão.

Se você está contente
Dance alegremente
Pra lá,pra cá
É só imaginar...


O sol é brilhante
Amarelo e forte
Ilumina o nosso caminho
Nos deixando bem quentinho.

Redondo,parece uma bola
Girando lá no céu
Esquentando a humanidade
Doce como o mel.

Uma bolacha com cor de pastel
Parece uma torre Eifel
Lá no céu.

Sol,solzinho
Lindo e bonitinho.


Amar é falar
Tudo o que dentro está
Amar também é falar
bem lá do fundo do coração
mesmo que seja um não.

Amar é dizer
é também escrever
Até fazer um gesto
Bonito e honesto.

Amar também é brigar
Mas depois se reconciliar

Amar é falar
Abrir o coração
E dizer "que bela paixão"!

27.9.09

Letramento


Atualmente várias defesas estão ocorrendo em torno do trabalho com linguagem. Dentre os paradigmas aceitos nesse em sala de aula, há aquele que enfatiza uma reflexão contínua do aluno sobre os materiais escritos. Dentro desta perspectiva, uma denominação que está sendo bastante usada, é a do Letramento. As discussões acerca do Letramento surgem no meio acadêmico brasileiro num contexto de reflexões sobre a importância das habilidades necessárias para o uso competente da leitura e da escrita, habilidades estas que estariam para além do simplesmente saber ler e escrever.
Essa proposta de mudança ocorre em virtude da contemporaneidade exigir novas competências dos cidadãos em relação aos usos da leitura e escrita. É fato que o índice de alfabetização aumentou bastante nos últimos anos, mas é fato também que, para a plena participação social do indivíduo, exige-se domínio da língua, pois é por meio dela que podemos expressar sentimentos, opiniões, idéias, experiências, etc. Através da língua, interagimos com a sociedade para compreendê-la, recriando-a, tornando-nos seres ativos, pois o ato de saber se expressar faz parte das competências socialmente exigidas para o exercício da cidadania, assim como , acredita-se que a língua é a grande ferramenta diária da qual ninguém poderá abdicar durante toda a sua vida, venha ele a fazer seja lá o que for. Assim, o sujeito hoje precisa ser crítico e atuante, o que requer que ele tenha domínio da língua escrita, esta, sendo vista como algo além de um sistema de códigos, mas como um sistema que possibilite uma atuação dinâmica e capaz de ser transformadora da realidade.
Na atualidade,pode-se afirmar que a escola,como principal agência do letramento não está preocupada com o letramento social,mas sim com a alfabetização,ou seja,o processo da aquisição dos códigos alfabéticos e matemáticos. Esse fato se dá a partir das exigências ditadas pelo mercado de trabalho,das exigências da sociedade enquanto progresso econômico.
A partir das leituras realizadas,mostram que os modelos que determinam as práticas escolares ,é o modelo autônomo de letramento , que considera o processo da aquisição da escrita como um processo neutro,independente das experiências e do convívio social.
Devido às exigências ditadas pelo mercado de trabalho,a escola tem se preocupado em favorecer aos estudantes,que concluam as etapas de educação básica,a fim de poderem se incluir no mercado de trabalho,sem ter uma preocupação em fazer com que tenham um empoderamento social , advindo de suas vivências, como pessoas que adquirem,no convívio social,uma larga experiência de vida e um letramento social bastante intenso sendo participantes de um mundo tecnológico e da acessibilidade aos meios de comunicação.
Para concluir,a convivência social nos diferentes ambientes de letramento nos introduz num mundo de infinitas possibilidades de ler o mundo ,de maneiras diferentes ,enquanto que a escola está preocupada com a alfabetização,propriamente dita;o ensino dos códigos alfabéticos e numéricos,impossibilitando os sujeitos de ampliar seu vocabulário social,pois o modelo de letramento em que a escola se baseia está ultrapassado.